A onda dos bares especializados em cerveja onde quem se serve é o cliente

04/09/2019
Imagem retriada de https://exame.abril.com.br/estilo-de-vida/a-onda-dos-bares-especializados-em-cerveja-onde-quem-se-serve-e-o-cliente/
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O hábito de se aboletar no balcão de um bar de cervejas especiais e pedir uma prova ou outra antes de se decidir parece estar com os dias contados. O sistema de autosserviço, que obriga a clientela a se dirigir às torneiras, encostar o cartão pré-pago, e encher o copo com quantos mililitros de chope quiser é replicado em cada vez mais endereços do tipo. Não sabe se vai gostar daquela sour belga ou da IPA frutada? Despeje só um pouquinho – e pague por isso.

A autonomia dada à clientela é bem-vinda. “Os clientes se sentem mais à vontade para descobrir suas cervejas preferidas e não precisam esperar para ser atendidos”, diz o publicitário Luiz Pereira. Ele é o dono do bar Levedura, o mais recente a adotar o sistema automatizado. Inaugurado em julho, o estabelecimento ocupa o imóvel deixado vago pela hamburgueria St. Louis Burger Shop, quase na esquina da rua Oscar Freire com a Padre João Manuel, nos Jardins, em São Paulo.

Com revestimento de madeira, as paredes sustentam 12 torneiras de chope. Quatro delas são reservadas para marcas nacionais com preços camaradas, caso da Dama, de Piracicaba, e da paulistana Tarantino. Chopes de marcas mais sofisticadas, a exemplo da belga La Trappe, se revezam em outras seis torneiras. Das duas últimas jorram sidra e drinques como o onipresente gim-tônica. Os preços variam entre R$ 29 a R$ 100, o litro. Para se servir da 13ª torneira, de água, não se cobra nada. O cartão pré-pago é gratuito e o valor creditado não tem prazo para expirar. Caso você tenha perdido o seu, basta informar o CPF e solicitar um novo – o saldo continua registrado no sistema.  

A proposta do negócio, que ambiciona se multiplicar pela cidade, é se integrar à rotina do bairro. “Nossos clientes em geral são moradores que param para um chope na hora de passear com o cachorro”, informa o proprietário. Para quem só está de passagem o Levedura vende growlers, aqueles garrafões, abastecidos com qualquer chope engatado. O bar acomoda a clientela com alguns bancos na entrada, onde também se encontram barris para quem prefere ficar de pé, e mesinhas no andar de cima. Para forrar o estômago, tudo o que há são salgadinhos importados, amendoins e snacks do tipo. Se quiser apelar para o delivery, está liberado.

Dois outros endereços paulistanos que apostam no sistema automatizado abriram as portas no ano passado. O taproom da cervejaria gaúcha Perro Libre, em Pinheiros, chama atenção pela decoração clean e pelas convidativas áreas ao ar livre. Dispõe de 15 torneiras de chope e de um bar especializado em drinques. Da cozinha saem petiscos como ceviche de peixe branco marinado no limão com pimenta dedo de moça, coentro e cebola roxa. Já a cervejaria Tarantino ocupa um terreno de 2.400 metros quadrados no bairro do Limão. A área a céu aberto tem chão de paralelepípedos, cesta de basquete e mesa improvisada de ping-pong. A cada mês, cerca de 16 mil litros de cerveja são produzidos no endereço, equipado com dez torneiras de chope. Na falta de cozinha própria, o endereço recorre a food trucks.

O Brou e a segunda unidade do Down Jones Market Beer iniciaram as atividades no mesmo ano. Também adeptos dos cartões pré-pagos, os dois ficam no Rio de Janeiro. Misto de bar, restaurante e pizzaria, o primeiro está situado no Flamengo e impressiona com seu paredão com 20 torneiras de cerveja – 100 mililitros custam entre R$ 3 e R$ 8,40. Inspirado no mercado de ações, o Down Jones Market Beer surgiu em 2017 no Shopping Downtown e ganhou uma encorpada filial no ano seguinte, em Botafogo. Dos dez bicos da segunda unidade jorram, por exemplo, líquidos da cervejaria mineira Backer. Como na Bolsa de Valores, os preços dos chopes variam de acordo com a oferta e a procura – o litro vai de R$ 29 a R$ 100.

Fonte: Exame.com