'O universo da cerveja é muito rico, e renderia ainda mais'

24/07/2019
Imagem retirada de https://www.destakjornal.com.br/figura/detalhe/o-universo-da-cerveja-e-muito-rico-e-renderia-ainda-mais
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Diretor de filmes como "O Cheiro do Ralo" (2006), "À Deriva" (2009) e o recente "Tungstênio" (2018), Heitor Dhalia foi convocado para preparar "Em Busca da Cerveja Perfeita". Rodou 10.000 km e colocou o resultado no filme que fica em cartaz até 31 de julho em cinemas de seis capitais (São Paulo, Rio, Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife). Trata-se de um documentário que, como avisa o título, explora as variantes da famosa bebida. Tanto que, nas sessões, há degustação da bebida, nesse caso, obviamente restrita a maiores de 18 anos. Com cenas gravadas no Brasil e na Europa, o cineasta pernambucano de 49 anos mostra as vertentes de produção da cerveja, com as chamadas escolas - inglesa, americana, alemã e belga. Ao longo da exibição, o espectador fica sabendo detalhes históricos sobre a bebida. Um exemplo é a influência das guerras no sabor. Outro: dá para dizer que foram as mulheres que criaram a cerveja. Com depoimentos de especialistas do Brasil e do exterior - homens e mulheres -, Dhalia monta um painel dos tipos da bebida e também apresenta especificações - sempre com base em profissionais do setor - sobre os elementos usados para a produção de cerveja. Ao todo, mais de 20 especialistas, como sommeliers, mestres-cervejeiros, peritos em malte e lúpulo, e fundadores de cervejarias, relatam a sua relação com a cerveja e expõem sua opinião sobre o produto. Pode parecer um pouco técnico, mas é puro entretenimento, cinema mesmo, de qualidade, ainda que já se saiba (ou seria um spoiler?) que não se encontrará no filme o que sugere o título. Dhalia já havia experimentado o formato documentário ao dirigir "On Yoga: The Architecture of Peace", de 2017 (disponível na Netflix).

Após a exibição de "Cerveja" para a imprensa e convidados, o diretor falou a jornalistas, em minicoletiva que teve a presença do Destak. Leia a seguir os principais trechos da conversa com o cineasta.

Qual é a diferença entre fazer um filme com uma ideia sua e dirigir uma obra de certa forma encomendada, como "Em Busca da Cerveja Perfeita"?
Na ficção, você tem a receita e compra os ingredientes. Com o documentário, você abre a geladeira, vê o que tem, e é aquilo. Não sou cervejeiro. Então queria trazer a visão da pessoa que não sabe sobre cerveja e aprende. E tem mais coisas. Você pode fazer um filme de autor que não te satisfaz. A questão principal é você ter controle. É um documentário. Nesse caso, você busca no outro a sua história. E não senti que tive limitação criativa.

Quanto tempo levou para concluir o filme e, no processo todo, o que mais te impressionou ou te emocionou?
Ficou pronto em mais ou menos um ano. Não imaginava tanta história da cerveja ligada à história da humanidade. A lei da pureza [da escola alemã, mostrada no documentário] me impressionou muito, e é uma lei mercantilista. Enfim, tem muita história boa.

No final, acha que faltou algo para completar o filme?
O mundo da cerveja é um universo muito rico, que ainda renderia mais. Poderíamos ver como é a cerveja do Japão, ou do Himalaia, por exemplo.
Nesse sentido, há citações e explicações sobre as escolas americana e inglesa [de produção da cerveja], mas não há cenas gravadas lá. Por que?
Bom, existe uma coisa chamada orçamento [ele sorri]. Mas adoraria ter ido aos Estados Unidos e ter feito cenas lá.

Você disse que não é cervejeiro, mas, se tiver que escolher, qual cerveja prefere?
Sim, sou um cara do vinho, não da cerveja [risos]. Mas gosto das craft beers, das autorais.

O assunto do filme é popular, e trata-se de um documentário, dois fatores que indicam potencial para venda do filme para a TV paga. Já se pensou nisso, ou isso já foi até previamente previsto?
Sim, pensamos nas múltiplas plataformas. Até pelo assunto. Hoje, as janelas são mais amplas para você expor seu produto.

Fonte: Destak Jornal